Deborá Evangelista: identificando a oportunidade

Redação do Diário

Confira o texto da coluna Opinião da edição impressa do Diário de Santa Maria desta sexta-feira (27).

Deborá EvangelistaAdvogada

Tenho visto e ouvido muitas pessoas que esperam uma oportunidade. Algumas me dizem com sentimento que precisam de uma única oportunidade para dar aquele “up”, para girar a chave, para resolverem suas vidas. Acho interessante, fico escutando atentamente, porque aprendi como professora, coach, advogada que ouvir ativamente também é importante.

Em alguns desses momentos, faço as vezes de eco, e apenas repito o que foi dito, de preferência com a mesma entonação de voz, minha intenção é que a pessoa que falou possa se ouvir também. E assim vamos compondo uma conversa um pouco diferente, em que eu, na verdade, nem falo nada, apenas devolvo o que foi dito. Esse é um exercício incrível, porque passado um tempo, a pessoa se dá conta do que está acontecendo, percebe o que ela está falando e o quanto daquilo é real e possível.

Nesse ato de pedir, rogar e desejar a oportunidade está um costume construído socialmente. É natural que estejamos sempre esperando alguma coisa acontecer. Parece que somos talhados para esperar um acontecimento extraordinário nas nossas vidas que pode pintar a qualquer momento. Se observarmos mais atentamente, perceberemos que neste contexto, nosso lugar é o de espectador. Desejoso, que torce muito, reza, acredita e espera.

Vejam que enquanto a oportunidade não chega, vamos vivendo como dá, trabalhando, contando nossos trocados, pagando boletos, fazendo pix, estudando, vamos vivendo um dia depois do outro na roda viva da vida! Mas o sonho, ali, conosco, no nosso coração, esperando que o grande dia aconteça, que a oportunidade finalmente chegue e se instale na minha vida.

Se recorrermos ao dicionário a palavra oportunidade vai significar uma ocasião favorável, ensejo, conveniência, vai representar um acontecimento oportuno, capaz de melhorar alguma coisa, uma situação nova que oferece algum benefício. Pois bem, se o significado é de fácil compreensão, a identificação da sua concretude pode não ser tão tranquila. Muitas vezes não conseguimos perceber que estamos diante de um oportunidade.

Pois já fui jogadora de basquete. Sim, tive o privilégio de jogar basquete e minha posição era de armadora. Parece que consigo me ver jogando basquete novamente. Na ponta da quadra me deslocando para o garrafão do adversário, batendo a bola e olhando o jogo. Lembro de levantar a cabeça, olhar e lançar para a colega que estivesse mais bem colocada. A visão de jogo era minha, eu que lançava a bola que passando por uma ou duas jogadoras estaria na cesta. Na minha mente estava tudo certinho, o caminho da bola e a cesta correspondente.

Pois, agora percebo que o que eu via quando eu levantava a cabeça, era na verdade a oportunidade de fazer a cesta. O que pode fazer a diferença na nossa vida é perceber quando essa oportunidade chega, mas para isto precisamos estar no jogo, focados no objetivo. Atentos, obstinados e atuantes.

E vou mais longe, na maioria das vezes precisamos cavar a nossa oportunidade, precisamos fazer ela acontecer, de um jeito ou de outro. Por isso, não dá para esperar que alguém nos dê uma oportunidade, é preciso construir, arquitetar as nossas oportunidades de forma consciente, planejada e audaciosa. A oportunidade está em todos os lugares, na escola, no trabalho ou na rodinha de amigos. É uma questão de percepção. E pensando nisso, já identificou a sua oportunidade hoje?

Leia o texto de Francisco Luiz Bianchin

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